E se, em vez de gastar para divulgar sua marca, você fosse pago para fazer isso?
Parece contra intuitivo à primeira vista.
Afinal, estamos acostumados a ver marketing e criação de conteúdo como custos necessários para construir reputação, atrair clientes e fortalecer uma marca pessoal ou empresarial.
Ou pelo menos era assim.
Outro dia contei no meu canal sobre como o Dr. CAOA era o maior anunciante do Brasil para crescer marcas como Hyundai e Chery.
Mas existe um caminho alternativo – um ciclo virtuoso onde o próprio ato de construir sua marca gera receita, e essa receita alimenta um crescimento ainda maior da marca.
Em outras palavras: é possível transformar branding e aquisição de clientes em um só movimento lucrativo.
Soa bom demais para ser verdade? Não é.
Eu vi isso pela primeira vez numa palestra do Russell Brunson, fundador do clickfunnels.
Certa vez, ele narra, deixou investidores boquiabertos ao explicar o modelo de negócio dele: seus clientes literalmente pagavam para aprender sobre o produto que ele vendia.
Ou seja, ele recebia dinheiro para educar o público – e, com isso, criava fãs da marca e futuros compradores do seu software.
Brunson chama isso de “book funnel”, o funil do livro.
Ele produz livros sobre marketing digital e vendas, que são vendidos a preços muito acessíveis — muitas vezes apenas cobrindo o custo de envio.
Para o público, parece um negócio “justo”: pagar pouco e receber muito valor.
E obviamente, os livros se tornam best-sellers.
Só que, por trás dessa estratégia, havia algo muito maior acontecendo.
Cada livro entregue era, na prática, uma aula introdutória sobre o universo de funis de vendas, além de uma boa peça publicitária.
O leitor, ao terminar, não só entendia melhor como funcionava um funil, mas também percebia na prática que precisava de uma ferramenta para executar aquilo.
Qual ferramenta? O ClickFunnels, software criado pelo próprio Brunson.
Além de ao longo do livro, ele vai contando sua historia e de seus alunos que tiveram sucesso.
Com isso, o livro deixava de ser apenas um produto e se tornava um canal de aquisição de clientes extremamente rentável.
Ao invés de gastar milhões em anúncios apenas para captar leads, ele criava um sistema onde as pessoas pagavam para se tornarem leads qualificados.
E mais: por já terem consumido seu conteúdo, chegavam até o software com confiança, gratidão e uma noção clara do valor que receberiam.
Na verdade, chegavam empolgados.
Esse modelo se transformou em uma escada de valor.
No primeiro degrau, estava o livro.
No segundo, cursos, palestras e treinamentos mais aprofundados. E, no topo, o software, que gerava receita recorrente e previsível.
Assim, cada cliente conquistado era fruto de uma jornada de educação paga — um ciclo virtuoso em que o marketing se autofinanciava e a marca se consolidava.
Investidores acostumados a ver empresas queimando caixa para atrair usuários não conseguiam acreditar: Brunson tinha invertido a lógica.
Ele ganhava dinheiro para gerar demanda.
E cada real que entrava pela venda de livros e cursos alimentava um motor de aquisição ainda mais poderoso, capaz de escalar a marca e o software a centenas de milhões de dólares.
Quando eu vi esse insight – “ser pago para construir sua marca” – mudou a forma como eu encarava marketing e conteúdo.
Passei a adotar essa filosofia e vi resultados transformadores na prática, como você vai ver neste artigo.
Vou destrinchar a ideia.
No centro de tudo está um ciclo bem simples (as melhores coisas são simples):
Você produz conteúdo de qualidade (existem vários tipos de conteúdo) , esse conteúdo gera receita (existem vários tipos de receita), e você reinveste essa receita em ainda mais conteúdo de qualidade.
Com isso, sua marca cresce e atrai um público maior, esse público, agora engajado e já conhecendo você e sua marca, está mais propenso a consumir o que quer que seja que você tem para ofertar.
A receita do conteúdo é 100% reinvestida, enquanto a marca construída, o ativo intangível, rentabiliza através da sua oferta principal.
Calma que eu explico melhor.
Eu aprendi isso na prática, dentro da XP.
Pouca gente sabe, mas a corretora começou vendendo cursos presenciais de investimento. O Guilherme Benchimol rodava o Brasil alugando auditórios, cobrando ingresso e ensinando pessoas comuns a entender o mercado financeiro.
Esses cursos eram a fonte de caixa inicial – pagavam as contas, financiavam a operação e ainda posicionavam a XP como uma autoridade nascente em finanças.
Só que ali tinha um detalhe genial: no final de cada curso, Benchimol mostrava como abrir uma conta na XP para colocar em prática o que havia acabado de ensinar.
Quem saía animado da sala já saía também cliente da corretora.
Ou seja, os cursos funcionavam como um cavalo de Troia: por fora eram educação, por dentro eram aquisição de clientes.
Isso foi tão poderoso que a XP conseguiu abrir milhares de contas sem gastar rios de dinheiro em mídia paga. O curso, que em tese poderia ser visto como o “negócio principal”, era apenas o canal.
O verdadeiro negócio estava em cada conta aberta, em cada investidor que passava a deixar seus recursos sob custódia da XP. O LTV de um cliente recorrente era infinitamente maior que o tíquete de um curso de fim de semana.
Agora vem a mágica: em vez de encarar esse dinheiro do curso como lucro imediato para gastar com outras coisas, você o vê como capital para reinvestir na sua marca.
Pode expandir para conteúdo gratuito, para conteúdo por escrito (tipo esse), e vários outros formatos.
Com essa receita, você pode, por exemplo, contratar um editor de vídeo para fazer cortes, um roteirista ou designer para elevar a qualidade do próximo conteúdo.
Pode comprar uma câmera (foi o que eu fiz), ou uma luz profissional.
Eu cheguei a contratar uma pessoa que hoje escreve todos os meus roteiros, deixa a câmera preparada para gravar, sobe os vídeos em um drive e combina o jogo com o editor.
Foi um excelente investimento.
Bom, cada real ganho com conteúdo volta para aprimorar seu trabalho e ampliar seu alcance.
Pode investir em mídia paga para expandir sua base de alunos.
Com conteúdo melhor e mais bem distribuído, você atrai uma audiência ainda maior.
Essa audiência por sua vez vai ser monetizada.
Percebe o círculo virtuoso se formando? Em vez de um ciclo tradicional de marketing – onde você investe dinheiro em anúncios esperando retorno futuro – aqui o “investimento” em conteúdo praticamente se paga sozinho ao longo do caminho.
Sua marca cresce não à custa de orçamento, mas com fluxo de caixa positivo desde cedo.
É ser pago para construir sua marca.
O que era um hobby pago com trocados pode se tornar sua principal estratégia de marketing autossustentável.
Você deixa de depender de grandes verbas para crescer e passa a financiar seu crescimento com o próprio crescimento. É quase como se o mercado estivesse financiando o aumento da sua relevância.
Você pode estar se perguntando: “Ok, entendi o ciclo, mas por que exatamente esse modelo é tão eficaz?”
A resposta está nos intangíveis que o conteúdo educativo e de valor gera no público: confiança, relacionamento e senso de reciprocidade.
Quando alguém consome seu conteúdo e genuinamente aprende ou se inspira com ele, você não é apenas mais um maluco querendo vender alguma coisa – você se torna uma referência, talvez até um mentor aos olhos dessa pessoa.
E isso tem um efeito poderoso na jornada do cliente. Estudos já mostraram que leads oriundos de conteúdo educativo têm propensão muito maior a virar clientes.
A HubSpot, por exemplo, cunhou até um termo para esses leads gerados por educação: EQL (Education Qualified Lead).
São pessoas que chegaram até a empresa através de cursos, artigos ou webinars, em vez de anúncios tradicionais. Os dados indicam que um EQL converte em cliente com uma taxa 30% maior e gera um LTV (valor de tempo de vida) cerca de 30% superior à média.
Ou seja, o cliente que veio pelo conteúdo vale mais.
Isso acontece porque ensinar ativa gatilhos profundos no cérebro: quem aprende algo com você passa a reconhecê-lo como autoridade, sente gratidão pelo valor recebido (reciprocidade) e valoriza mais aquilo em que já investiu tempo e energia.
Além disso, a confiança reduz a sensação de risco na hora da compra. Em outras palavras, o cérebro é programado para seguir, confiar e comprar de quem já nos ensinou algo útil.
Além disso, quando o público chega ao ponto de pagar pelo seu conteúdo – seja comprando um curso, um livro, ou pagando ingresso numa palestra – o nível de comprometimento sobe outro patamar.
Há um conceito de “skin in the game”: ao investir tempo e dinheiro para aprender com você, a pessoa fica mais engajada e propensa a colher resultados (afinal, ninguém quer pagar e não aproveitar).
E se ela colhe resultados com seu conhecimento, provavelmente vai compartilhar essa experiência positiva, indicando você para outros.
Em outras palavras, seu conteúdo não só filtra um público altamente qualificado, como transforma esse público em promotores espontâneos da sua marca e de você.
Vale lembrar também do fator psicológico: quando alguém paga para te ouvir ou te assistir, há uma inversão interessante de papéis.
Em vez de você implorar pela atenção do público (como é o caso de 90% dos anúncios hoje, vamos ser sinceros), é o público que valoriza ativamente o que você tem a dizer.
Isso eleva instantaneamente seu status de autoridade. Pense em palestras ou workshops presenciais: quem assiste tende a enxergar o palestrante como especialista, porque houve um investimento para estar ali.
Esse prestígio reverbera depois em outras oportunidades de negócios.
Por fim, há o aspecto viral e orgânico do bom conteúdo.
Se esse conteúdo for gratuito esse ciclo pode ser ainda mais rápido.
Se você entrega algo realmente valioso e único, as pessoas compartilham – e hoje o compartilhamento é o que realmente “dispara o algoritmo”.
Conteúdos que educam, entretêm e engajam geram curtidas, comentários e, principalmente, compartilhamentos.
E a cada compartilhamento, sua mensagem alcança novas pessoas sem que você gaste um centavo a mais.
Ou seja, a qualidade do conteúdo impulsiona um crescimento orgânico que torna todo o processo ainda mais eficiente.
Quando o público ama seu conteúdo, ele se torna o seu melhor departamento de marketing.
Tá bom – a ideia é criar conteúdo que se pague. Se eu postar esse conteúdo de graça em plataformas como Youtube, Instagram e tiktok.
De onde vem exatamente o dinheiro?
Quais são as formas de monetização que alimentam esse ciclo?
Simples…
O YouTube e o Tiktok dividem a receita de anúncios com seus criadores.
Enquanto escrevo esse artigo, li hoje que o Youtube já pagou 100 bilhões de dólares aos seus criadores.
Pode ser pouco dinheiro, mas já retroalimenta seu conteúdo
Mas à medida que sua relevância cresce, algo mágico acontece.
Outras marcas vão querer se associar a você e a sua empresa.
As famosas “publis”…
O criador mantém controle ao escolher parceiros alinhados ao público, e se feito com autenticidade, o anúncio agrega valor para a audiência e ainda financia a produção.
Algumas das minhas publis são alguns dos meus conteúdos mais virais.
Fiz publis para marcas como Minimal Club, Rhino, GenioDesk e mais uma dezena de marcas.
Todas preenchem um checklist:
- Conteúdos no formato que gera autoridade pra mim.
- Boas marcas para minha audiência (reputação se perde muito fácil)
- E que eu recebi um bom dinheiro.
Mas Fernando, isso dá dinheiro mesmo?
Em nenhum momento falamos de abandonar seu negócio para viver disso.
O que estou falando é de um novo canal.
E isso é fundamental na lógica de ser pago para construir marca – a monetização ideal é aquela que não desvia o seu foco principal, mas sim reforça ele.
Cada vídeo patrocinado, cada comissão de afiliado, cada venda de curso, é não só dinheiro entrando – mas também gente consumindo sua mensagem, aprendendo com você e fortalecendo mentalmente a conexão com sua marca principal.
Igualzinho o exemplo da XP.
Além das oportunidades puramente digitais, vale lembrar que sua expertise pode (e deve) extrapolar as telas.
Eventos e palestras são talvez o exemplo mais forte: você é pago para ensinar, mas o verdadeiro valor está em sair do palco maior do que entrou — mais conexões, mais prestígio, mais portas abertas.
Livros têm esse mesmo efeito multiplicador: funcionam como um cartão de visita premium que legitima instantaneamente a sua voz. Um bom livro ou uma boa palestra não param no cachê ou no royalty; eles criam uma aura de especialista que atrai convites, clientes e projetos que valem muitas vezes mais do que a própria obra ou evento.
Cursos pagos, por sua vez, fecham esse ciclo: além de gerar caixa para financiar conteúdo, transformam seguidores em alunos comprometidos, aprofundando a relação e preparando o terreno para ofertas maiores.
Cada uma dessas frentes – palestras, cursos, livros – não só geram receita como multiplicam sua exposição e consolidam sua imagem profissional.
Um evento que você organiza, por exemplo, pode empatar financeiramente (cobrir os custos apenas), mas mesmo assim valer muito a pena: ele coloca seu nome na praça, traz potenciais clientes para perto de você por um dia inteiro, gera conteúdo (filmagens, fotos, depoimentos) para você aproveitar depois e, com sorte (ou estratégia), ainda resulta em negócios fechados pós-evento.
Eu mesmo já participei de evento em que o objetivo principal era break-even (não dar lucro financeiro direto), mas encarei como investimento de marca – e de fato, dali saíram relacionamentos e contratos que valeram dezenas de vezes o esforço.
Assim, mesmo quando a iniciativa de conteúdo não tem lucro imediato, ela pode pagar dividendos de marca no longo prazo.
Vamos dar vida a tudo isso com alguns exemplos práticos de quem trilhou (ou está trilhando) esse caminho.
Meu sócio Thiago Nigro, conhecido como O Primo Rico, é hoje uma celebridade do mercado financeiro no Brasil.
Mas ele começou como um criador de conteúdo no YouTube, explicando como investir, economizar e atingir a independência financeira.
Seus vídeos gratuitos acumularam milhões de visualizações e uma base enorme de seguidores.
A monetização inicial veio do próprio YouTube (anúncios) e de alguns patrocinadores do segmento financeiro.
O primeiro grande salto foi quando ele lançou seu curso online pago de finanças pessoais. Milhares de fãs se inscreveram, gerando um faturamento expressivo.
Esse faturamento financiou ainda mais conteúdo de qualidade e ações de marketing.
A essa altura, Thiago já era autoridade – havia literalmente sido pago pelos seguidores para ensiná-los, e em troca ganhou notoriedade e cases de sucesso.
Só que isso era só o prelúdio.
O conteúdo e os cursos foi um “cavalo de Troia” positivo: entrou na vida do público de forma gratuita, depois paga e construiu confiança.
Depois do salto com cursos e conteúdos pagos, veio o movimento realmente genial.
Os alunos estavam aprendendo a investir, mas muitos saíam com a mesma dúvida: “Não dá para vocês cuidarem do meu dinheiro?”. Foi ouvindo essa necessidade que ele comprou a Portfel.
Thiago Nigro percebeu que a audiência conquistada com vídeos, livros e cursos era, na prática, um exército de potenciais clientes.
Gente que já confiava nele, que já tinha aberto a cabeça para investimentos e que só precisava de alguém de confiança para conduzir.
Essa virada mudou tudo. O que começou como vídeos no YouTube virou um negócio que administra bilhões de reais sob custódia — hoje, mais de R$14 bilhões. O conteúdo foi o cavalo de Troia que abriu a porta, mas o negócio real estava em reter clientes, gerar recorrência e construir equity no mercado financeiro.
O verdadeiro espetáculo começou quando a confiança conquistada com conteúdo foi convertida em ativos sob gestão.
Um expoente dessa estratégia é Alex Hormozi. Um empreendedor norte-americano que personifica o conceito de ser pago para construir marca de maneira brilhante.
Recentemente, ele escreveu o livro “$100M Money Models” (Modelos de 100 milhões de dólares) e vendeu 3 milhões de livros em seu lançamento.
Para isso, ele investiu DEZENAS de milhões de dólares, como ele mesmo admite.
A troco de quê? Ele mesmo admite: não é para lucrar com direitos autorais de livro.
O objetivo era fazer o conhecimento dele chegar ao maior número de pessoas, alguns desses leitores se tornaram seus fãs, alguns desses fãs irão construir bons negócios, alguns desses negócios serão “mentorados” por Hormozi.
Hormozi usa seus conteúdos (livros, vídeos no YouTube e podcasts) para atrair empreendedores ambiciosos.
Ele ganha dinheiro inicialmente com vendas desses materiais e eventos, mas principalmente ao selecionar alguns daqueles seguidores e propor acordos de equity: ele investe ou mentora as empresas deles em troca de participação societária.
Em outras palavras, ele é pago para ganhar fãs, e desses fãs ele escolhe alguns para fazer negócios que valem milhões.
Hoje, Hormozi é sócio de diversas empresas que, somadas, valem centenas de milhões.
Seu livro barato é um “flyer”, uma isca de luxo – e a construção da marca pessoal via conteúdo gerou oportunidades de investimento que provavelmente nunca surgiriam sem essa estratégia.
Novamente, conteúdo e educação no centro de tudo: quem leu o livro dele já chegou pré-convencido do valor das ideias; muitos aplicaram e tiveram sucesso, tornando-se praticamente discípulos prontos para tê-lo como mentor/investidor. Ele construiu um deal-flow imenso enquanto era pago para isso (os livros, cursos e eventos cobriram os custos e ainda deram lucro).
A Alavanca
Vou compartilhar um exemplo da minha experiência que ilustra como às vezes nem é preciso ter lucro direto para valer a pena.
Alguns meses atrás, topamos organizar um grande evento em Campinas para 2000 empresários.
Era um evento pago, mas nossa meta era basicamente empatar receita e custo – queríamos lotar a casa e causar impacto, não ganhar dinheiro com ingresso.
Deu um frio na barriga, porque eventos são caros (espaço, estrutura, divulgação).
No fim, conseguimos patrocínios e vendemos ingressos suficientes para ficar no zero a zero financeiro.
Até o evento começar…
Ao final do evento, centenas de empresários contrataram um serviço da V4.
Além disso, a repercussão do evento nos colocou em outro patamar de visibilidade.
Sem falar nas parcerias que surgiram, na aproximação com influenciadores, na autoridade de dizer “fizemos um evento com 2000 empresários”.
Esse é um insight importante: construir marca às vezes implica pensar além do lucro imediato.
Você pode deliberadamente quebrar a cabeça para apenas se pagar (ou até investir um pouco) em algo que amplifique sua reputação – porque a médio prazo, isso volta em forma de contratos, vendas e posicionamento de mercado.
Eventos, livros e projetos especiais muitas vezes entram nessa categoria. Mas note: mesmo nesse caso, houve receita envolvida (patrocinadores, ingressos) para abater custos.
Não foi simplesmente gastar em marketing – foi fazer o marketing se pagar.
É diferente de só comprar anúncios que dão visibilidade efêmera; aqui criamos um ativo de brand duradouro sem sangrar o caixa. Esses casos servem para mostrar que não estamos apenas na teoria. Funciona mesmo.
Conteúdo bem feito é um verdadeiro Cavalo de Tróia benigno: entra na vida das pessoas oferecendo algo bom e acaba levando junto a bandeira da sua marca, discretamente cravada na mente delas.
Lembra do ciclo virtuoso lá do início? Ele só ganha tração de verdade se formos alimentando a engrenagem. Isso requer uma mentalidade de abrir mão de lucros imediatos em prol de um ganho muito maior adiante.
Cada real ou hora que você consegue reinjetar em melhorar seu conteúdo volta multiplicado depois. Como isso se traduz na prática? Digamos que você começou a ganhar um dinheirinho com vídeos no YouTube e posts patrocinados no Instagram.
Poderia simplesmente comemorar e usar esse dinheiro para despesas pessoais – afinal, você “mereceu” pelo trabalho duro. Mas se puder, resista à tentação de retirar o lucro cedo demais. Em vez disso, pense: o que faria meu conteúdo dar um salto de qualidade ou alcance? Talvez seja contratar um editor profissional para aqueles vídeos começarem a ter um visual de alto nível.
Ou quem sabe investir em um microfone de primeira linha para o podcast, melhorar a iluminação do seu estúdio caseiro, ou até trazer um freelancer que te ajude a pesquisar pautas e dados, tornando seus artigos ainda mais ricos.
Todas essas melhorias elevam o valor percebido pelo público – e conteúdo melhor tende a atrair mais audiência, mais engajamento e mais monetização.
Reinvestir também significa aprender continuamente. Por exemplo, investir em seu próprio aprimoramento: faça cursos, participe de eventos (sim, pagar para ir em eventos de outros pode acelerar seu networking e repertório), compre livros e referências.
Tudo isso vai refletir na qualidade do que você produz. E novamente – use a verba que o próprio negócio de conteúdo gera para bancar isso, sempre que possível.
Em resumo: encare cada centavo gerado pelo seu conteúdo como combustível para ir mais longe.
Essa disciplina acelera o “flywheel” – aquela roda impulsora do crescimento. No começo ela gira devagar, mas com cada empurrão (reinvestimento) fica mais fácil girar mais rápido, até ganhar momentum próprio.
Chega um ponto em que sua marca está tão forte que mesmo investindo menos ela continua crescendo, pelo efeito cumulativo de tudo que foi construído. Mas até lá, alimente a máquina sem avareza.
É um dos segredos por trás de cases como do MrBeast (maior youtuber do mundo), que reinveste tudo na produção dos vídeos para dominar o espaço – e hoje colhe os frutos em múltiplos negócios (ele ficou mais rico vendendo chocolates do que com seus deals de publicidade).
Mas atenção.
À medida que o conteúdo começa a dar certo, surge um risco invisível: a distração do negócio principal.
É comum ver um dono de agência, por exemplo, lançar uma imersão ou um curso que dá lucro imediato e pensar: “Talvez isso devesse ser meu novo negócio”. Essa é a armadilha. O brilho do resultado rápido pode seduzir, mas é preciso lembrar a ordem correta: conteúdo e educação não são o core, são canais.
O mercado de serviços (como uma agência, consultoria, software ou produto recorrente) é infinitamente maior e mais valioso do que o de cursos e infoprodutos.
Educação e conteúdo funcionam como portas de entrada, excelentes motores de aquisição e construção de autoridade, mas raramente se sustentam como negócios sólidos de longo prazo. Margens frágeis, saturação de players, dependência de tráfego pago e baixo múltiplo de valuation tornam o setor de educação digital um negócio pequeno comparado ao mercado que ele pode abrir.
A disciplina está em não se confundir: se uma imersão gera caixa, ótimo — reinvista esse caixa para acelerar o negócio que cria equity e retenção. Não abandone seu core.
Conteúdo é o cavalo de Troia que leva sua marca até as pessoas, mas a verdadeira fortaleza é o negócio principal. Use educação como canal, nunca como distração.
Além disso, tenha em mente: sua marca pessoal ou o brand da sua empresa é um ativo frágil e precioso. Leva anos para construí-lo e segundos para manchá-lo. Toda vez que for monetizar, pergunte: “Isso aumenta ou diminui meu prestígio e conexão com a audiência?”.
Promover algo em que não acredita por um pagamento rápido (os famosos tigrinhos), lançar um produto malfeito só para aproveitar a onda, ou se envolver em um negócio que você não dará conta (e largará clientes na mão) são erros que podem custar caro.
Já vi colegas queimando a reputação com indicações duvidosas e, ao perderem a confiança do público, perderam também o solo firme para qualquer monetização saudável.
Por outro lado, quando você mantém coerência e qualidade, o próprio mercado percebe e te respeita mais.
Aí acontecem as coisas lindas: patrocinadores maiores querem trabalhar com você sem impor condições absurdas, livros se tornam best-sellers pela genuína base de fãs, empresas vêm te procurar para projetos dos sonhos.
Em suma, foco no que te trouxe até aqui. Use a criatividade para ganhar dinheiro de forma alinhada com sua missão de marca. Assim, cada esforço puxa o próximo – nada é um passo para o lado, tudo empurra você para frente.
Vivemos uma era de ouro para quem cria conteúdo e constrói marca. Nunca foi tão viável transformar conhecimento, paixão e criatividade em um negócio autossustentável de imagem e impacto.
A lógica de “ser pago para construir sua marca” inverte a fórmula tradicional do marketing.
Em vez de despejar dinheiro esperando atenção, você despeja valor esperando – justamente – dinheiro e atenção de volta. É branding e performance fundidos numa coisa só.
Uma vez que você entende essa dinâmica, fica difícil voltar atrás. Você passa a se questionar toda vez que pensar em pagar por divulgação: “Não seria melhor eu criar algo tão bom que as pessoas queiram consumir e até pagar por isso?”. Muitas vezes, a resposta será sim.
Claro, isso não significa que toda ação de marketing daqui em diante tenha que dar lucro direto. Nem todo conteúdo conseguirá se pagar imediatamente, e nem deve – há casos em que investir sem retorno imediato é estratégico.
A diferença está na mentalidade: mesmo quando você coloca dinheiro ou esforço sem retorno direto, faz isso sabendo que está construindo um ativo duradouro, e não só “gastando bala”.
É pensar como um investidor da própria marca, não apenas como um custo-centro. E quando possível, orquestrar estratégias onde os fluxos de receita e construção de audiência andem juntos.
Fernando, tenho 58 anos e felizmente ainda cultivo o mesmo entusiasmo de quando iniciei minha carreira, na automação industrial em 1989.
Construí uma carreira como um resolvedor de problemas, inovando nas soluções, ou se preferir, achando caminhos alternativos.
Você pode não acreditar, mas eu estou trabalhando num desenho de abordagem de mercado, para a minha pequena empresa, muito similar ao que você propõe, e já ganhei meu dia, pois vou ganhar tempo com o seu conteúdo.
Depois de quase oito anos em Portugal, minha empresa vem sendo transformada, ano após ano, e hoje, ainda com um faturamento aquém do que eu entendo satisfatório, conquistamos o reconhecimento de marcas importantes do setor de automação, como a Schneider Electric e a Valmet, tornando-nos integradores/distribuidores destas marcas.
Meu desafio sempre foi o de como me posicionar à frente dos meus concorrentes, empresas portuguesas e europeias, com décadas de experiência em um mercado pequeno, tradicional e fechado.
Temos apostado na credibilidade, que dá resultados, mas em um tempo que não dispomos a um custo que não podemos, e neste momento, um dos meus desafio, entre muitos, tem sido o de acelerar esse processo em um ambiente (português/europeu) lento.
Minha provocação é se quer desafiar-se em um ambiente fora de sua zona de conforto e participar dessa minha jornada.
Terá meu compromisso de ser mais um “use case” de sucesso na sua já vitoriosa, carteira de projetos.
Diga-me algo.
Obrigado e parabéns pelo seu sucesso, do qual já estou a participar.
Não tinha visto o artigo, mas o comentário do YouTube vale para cá.
Sei que juntos podemos construir um bom “case” de sucesso num ambiente mais tangível e árido que é o da IA, aplicado a Indústria 5.0.
Arrisque-se comigo e eu te conto como um quase vovô “saca” alguma coisa desses assuntos.
Abraço.
Sei que juntos podemos construir um bom “case” de sucesso num ambiente mais tangível e árido que é o da IA, aplicado a Indústria 5.0.
Arrisque-se comigo e eu te conto como um quase vovô “saca” alguma coisa desses assuntos.
Abraço.
Muito boa suas reportagens rápidas sobre as grandes, porém um dia.
Começaram a existir.
Hoje tem muitas gigantescas.
A minha empresa é pequena, e estou cuidando para que ela cresça.
Parabéns, sempre assisto vídeo.
Forte abraço.