por Fernando Miranda
Eu nasci no Dia do Vendedor.
Mas na realidade, eu nunca gostei de vender…
Eu sentia que estava incomodando as pessoas, sabe?
Aquela pecha de “vendedor chato”.
Mas eu era bom.
Em todas as casas que passei, do Banco do Brasil até a Exame, sempre sobrava pra mim fazer a oferta, dar o pitch.
Até mesmo agora, como sócio da V4, entre centenas e centenas de sócios, várias vezes, quando precisam de alguém pra matar no peito, sobra pra mim.

Então, para não sentir que eu estava “empurrando algo ruim” eu comecei a criar ofertas que eu realmente acreditasse.
Com o tempo, aprendi que as melhores vendas nĂŁo acontecem porque vocĂŞ Ă© um gĂŞnio da persuasĂŁo, e sim porque a sua oferta Ă© boa demais pra ser recusada.
Quando me pedem a minha definição de marketing, eu sempre respondo parafraseando o Peter Drucker (O Avô do Marketing):
“O objetivo é conhecer e estudar tão bem o cliente e o seu mercado que o produto ou serviço se ajuste a ele e se venda sozinho.”
A grande oferta Ă© aquela que faz o cliente parar, franzir a testa e pensar:
“Tem alguma pegadinha aqui.”
Ele procura o asterisco, as letras miúdas, o “onde está o truque?” — e quando não encontra nada, faz a compra.
Idealmente, toda boa oferta tenta se aproximar de uma pĂlula mágica.
Uma pĂlula de poderes divinos.
Que assim que tomada, dá imediatamente o resultado esperado, sem esforço algum, e com zero riscos.
Eu sei, tal produto nĂŁo existe.
Seria Ăłtimo se eu pudesse tomar uma pĂlula que imediatamente se perde 10 quilos, com zero riscos Ă saĂşde e sem esforço algum. (AlĂ´ Eli Lily, se inventarem eu sou cliente)
Mas, por trás de toda boa oferta existe uma lógica simples: Quanto menor o preço e maior o valor, melhor é a oferta.
Quando o valor percebido supera o preço e o cérebro do cliente percebe isso você fez uma venda.
Mas o que é exatamente “valor”?
O dicionário define como “grau de utilidade ou benefĂcio que um bem ou serviço possui, capaz de satisfazer uma necessidade humana”.
Faz sentido, pensa comigo, quanto mais Ăştil, mais valioso Ă©.
Quanto maior o benefĂcio, melhor.
Na prática, o valor é o quanto a pessoa acredita que a sua solução pode resolver alguma coisa, comparado ao risco e ao esforço que isso exige.
Há algum tempo eu vi uma fórmula, não lembro quem é o autor, então peço perdão se tiver kibando alguém.
Valor = Oportunidade – Risco.
Oportunidade Ă© a visĂŁo concreta de um futuro melhor.
É o resultado que a pessoa quer, no menor tempo e com o menor esforço possĂvel.
Quanto mais rápido e fácil parecer chegar lá, mais mágica sua oferta se torna.
Resultado imediato.
Risco zero.
Esforço nenhum.
(Essa eu roubei do Hormozi mesmo)
É impossĂvel vender isso literalmente, mas o nosso trabalho Ă© se aproximar dessa sensação.
Cada segundo que você economiza, cada passo que você elimina, cada fricção que você reduz em direção ao resultado que o cliente quer, aumenta o valor percebido.
Se eu pudesse, eu prometeria coisas do tipo:
“Imagine abrir o painel e ver o dobro de vendas em uma semana — sem gastar um centavo a mais em anúncios.”
“Você escolhe o terreno, nós entregamos a casa pronta, mobiliada e acesa em 90 dias”
“Em duas semanas, seu medidor de glicose mostra 90, 95, 100… e vocĂŞ volta a comer com tranquilidade, sem medo do prĂłximo exame.”
A diferença é a emoção. É a imagem mental.
O cliente precisa ver o futuro que você está prometendo.
Essa promessa, grande, rápida e com pouco esforço obriga o empresário a pensar em produtos melhores.
Um produto que traz um resultado medĂocre fica sem espaço no mercado.
Ou como diria o sábio: Promessas medĂocres criam produtos medĂocres.
Uma boa oferta começa com um sonho grande, mas só se sustenta quando você dá a esse sonho credibilidade e segurança.
E aà entra o outro lado da equação: o risco.
Risco Ă© o que separa desejo de decisĂŁo.
Quando alguém hesita em comprar, não é porque não quer — é porque teme perder.
Teme gastar tempo, dinheiro, energia, reputação.
VocĂŞ elimina esse medo com prova, autoridade e garantia.
As pessoas não compram quando duvidam do resultado — compram quando acreditam que vai funcionar para elas.
E essa crença nasce de três tipos de prova: social, lógica e de autoridade.
A prova social mostra que outras pessoas já conseguiram o resultado que você promete.
É o gatilho mais poderoso porque o cérebro humano confia no comportamento coletivo.
Por isso depoimentos de histĂłrias de clientes funcionam tĂŁo bem.
Os “testemunhos”.
Nunca se esqueça que os maiores movimentos religiosos da história cresceram através de testemunhos.
Pessoas que tiveram suas vidas transformadas e que depois se tornaram embaixadores da causa.
Quando alguém lê “comprei o produto do fulano e meu resultado dobrou”, o cérebro ativa o atalho do tipo: “Se funcionou pra ele, pode funcionar pra mim.”
É por isso que a Amazon exibe estrelas e comentários. Que restaurantes mostram fila na porta e suas avaliações no google.
A internet é recheada de exemplos, desde o Reclame aqui até o número de seguidores são marcadores de que você foi aprovado por aquele grupo de pessoas.
A prova social reduz o risco percebido sem precisar de uma palavra sua.
A prova lĂłgica Ă© diferente. Ela fala com o cĂ©rebro analĂtico.
É quando você mostra por que o método funciona.
Com dados, estudos, evidĂŞncias ou raciocĂnio racional.
Um nutricionista que mostra o estudo ganhador de nobel sobre jejum intermitente.
Um assessor que demonstra, com planilha, que quem investe 500 reais por mês alcança 1 milhão em 25 anos.
Essas provas não são emocionais, são matemáticas — e servem para o interlocutor pensar:
“Ok, isso faz sentido.”
A prova lĂłgica Ă© o cimento da credibilidade.
Ela nĂŁo empolga, mas sustenta.
E a autoridade Ă© o acelerador de decisĂŁo.
Vem da sua trajetória, dos resultados que você já gerou, das empresas com quem trabalhou, das conquistas acumuladas ao longo do tempo.
É por isso que médico e advogado penduram diplomas na parede, e as marcas usam selos e certificações.
Quando bem usada, ela transfere segurança — e segurança é valor.
Por fim, vem a garantia.
A minha arma favorita e a arma dos corajosos.
Ela Ă© o golpe final na dĂşvida.
É quando você mostra que está disposto a tirar o risco do seu cliente e passar para você.
“Ou você tem o resultado, ou devolvo seu dinheiro.”
Essa simples frase muda o jogo.
Porque agora, na cabeça do cliente, a pergunta deixa de ser “e se nĂŁo funcionar?” e passa a ser “ah, nĂŁo custa nada tentar”.
Toda oferta que eu produzo, eu SEMPRE, SEMPRE vou tentar criar uma garantia ousada.
Algo que realmente me dĂŞ frio na barriga.
Por exemplo, na oferta da V4 que fazemos no pânico, caso o cliente não esteja satisfeito, devolvemos 100% do valor pago e o cliente fica com a auditoria de graça.
Uma vez em um Primocast eu fiz essa oferta, o Pablo Marçal era o convidado.
Ele respondeu com:
“Se os caras tão falando que se não der resultado eles devolvem o dinheiro, eu compraria dois, um pra mim e outro pro meu cachorro”
Esse Ă© o poder de uma boa oferta.

AtĂ© hoje usamos essa oferta em quase todos os canais de mĂdia em que estamos.
Na nossa equação, quanto menor o risco percebido, maior o valor percebido.
E o mais bonito Ă© que isso vale pra tudo.
A Domino ‘s sabia disso quando disse “30 minutos ou Ă© grátis.”
Isso que Ă© garantia.
Lembra que eu te falei que promessas medĂocres criam produtos medĂocres?
A Dominos mudou completamente para cumprir essa promessa.
As cozinhas passaram a ser projetadas para velocidade.
O cardápio foi reduzido para otimizar o tempo de preparo.
O sistema de entregas foi reconfigurado para garantir rotas mais rápidas.
Cada funcionário entendia que o tempo não era apenas métrica — era a própria proposta de valor.
As pessoas começaram a pedir só pra testar se era verdade.
No fundo, criar uma grande oferta Ă© um ato de empatia e engenharia ao mesmo tempo.
VocĂŞ precisa entender o objetivo do cliente e depois reconstruir o caminho atĂ© ele da forma mais rápida e segura possĂvel.
É aà que entra a fórmula do valor:
Valor = Oportunidade – Risco
Quanto maior a oportunidade mais vale.
Quanto maior a probabilidade de sucesso, menos risco
Quanto menor o tempo e o esforço, mais irresistĂvel a proposta.
Toda vez que alguém diz “está caro”, não é o preço que está alto — é o valor percebido que está baixo.
Uma boa oferta nĂŁo precisa de gritaria.
Precisa de clareza.
De especificidade.
De mostrar o futuro como se ele já existisse.
De maneira mais simples possĂvel.
Sem um milhĂŁo de coisas, apenas grandes oportunidades, com pouco risco.
Resumidamente: A confusĂŁo Ă© inimiga da conversĂŁo.
No fim, a arte da oferta Ă© a arte de remover peso.
Remover dĂşvida.
Remover esforço.
AtĂ© que o seu produto pareça, uma pĂlula mágica.
Toda vez que o cliente olha pra sua oferta e pensa “é impossĂvel ser tĂŁo bom assim”, e mesmo assim acredita, Ă© porque vocĂŞ chegou perto da pĂlula mágica.
E aĂ, as pessoas compram e vocĂŞ nĂŁo precisa vender.
Fernando Miranda – Professor
Tudo que vice fala tem autoridade. Um ponto que considero muito importante sĂŁo os riscos que as empresas e pessoas nĂŁo analisam antes de montar qualquer negĂłcio. Obrigada por sempre nos disponibilizar postagens excelentes.
Que forte essa carta.
É outro nĂvel!
VocĂŞ transmite autoridade
Transmite confiança!
👏👏👏👏
Parabéns
É isso mesmo!
NinguĂ©m compra um produto, compra um estado de espĂrito
Eu sempre falei que nĂŁo consigo vender nada que eu nĂŁo acredite. Certa vez um polĂtico conhecido de Campinas nos sondou para assumir a campanha dele nas eleições. Eu respondi que nunca tinha feito marketing polĂtico e que precisava pensar, mas que havia um problema: eu precisava acreditar no que estava vendendo, e que se tivesse algo que eu nĂŁo pudesse saber, era melhor eu nĂŁo saber mesmo… curiosamente ele nunca retornou.
Excelente aula, professor!
Excelente!
Excelente!! Uma Aula Magna sobre o segredo do sucesso nas vendas!
Excelente!! Uma Aula Magna sobre o segredo do sucesso nas vendas!
Grande Fernando!
Ainda quero descobrir a minha “COCA-COLA”. A preferĂŞncia Ă© grande e esmagadora. Ou seja, quase todo mundo quer no mundo inteiro. BaixĂssima objeção, preço acessĂvel, rede de distribuição que funciona. Enfim, a oportunidade que Ă© a visĂŁo concreta de um futuro melhor Ă© o que a grande maioria das pessoas buscam para alcançar o tĂŁo sonhado sucesso profissional.
Pois, o resultado que as pessoas querem no menor tempo e com o menor esforço possĂvel nĂŁo Ă© fácil de criar e colocar em prática e ainda ser desejado a ponto da maioria nĂŁo reclamar do preço, pois o benefĂcio supera o preço cobrado. Portanto, Ă© o que vocĂŞ disse meu amigo, “Quanto mais rápido e fácil parecer chegar lá, mais mágica a oferta se torna”.
Mas não é fácil, como já relatei acima alcançar o resultado de forma imediata, muito menos a um risco zero.
E sem esforço nenhum ninguém consegue chegar ao sucesso. Até um picareta do mercado precisa ter algum esforço para atingir seus objetivos.
Mas sempre Ă© bom saber e buscar aprender mais, pois Ă© impossĂvel vender qualquer coisa (Bens ou Serviços) sem que o nosso trabalho consiga se aproximar dessa sensação que nossa oferta possa causar nos clientes..
Resumindo e concordando com o que vocĂŞ falou, “Cada segundo que economizamos, cada passo que eliminamos, cada fricção que reduzimos em direção ao resultado que o cliente quer, aumentam o valor percebido por eles”..
Se eu pudesse, eu prometeria coisas do tipo:
Imagine – “Se transportar atĂ© Paris com o nosso teletransporte. Parece Ficção CientĂfica, mas Ă© realidade – Venha viaje com nossa empresa! Temos a melhor equipe e os melhores equipamentos para te levar aonde vocĂŞ quiser!
“Em duas semanas, seu medidor de glicose mostra 90, 95, 100… e você volta a comer com tranquilidade, sem medo do próximo exame.” Essa como eu sou diabético a mais de 40 anos ia comprar se tivesse poder aquisitivo.
Parabéns pelo artigo!
Ele faz refletir sobre como estamos tentando vender nossas ideias, produtos e serviços!
Vlw.!
Top. Muito bom!
Quando eu vendia energia solar precisei acreditar no produto para fazer minha 1°venda…
Oferta feita para o pĂşblico certo, proposta feita para um cliente com perfil Ă© negĂłcio feito! Os “pacientes” que a đź’Š pĂlula atende e deixa a boa impressĂŁo de: uau isso Ă© realmente mágico! SĂŁo melhores do que clientes, se tornam embaixadores, te indicam sem pedir nada e troca.
Como sempre,excelente conteĂşdo professor!
O Fernando sempre surpreende a gente com a sua simplicidade em explicar algo que parece complexo e extremamente essencial. Sou fĂŁ desse cara!